“Eu não preciso de ninguém.” Mas será mesmo?

chatgpt image feb 22, 2026, 03 21 22 pm

A dificuldade de confiar e se vincular da mulher ultra independente.

Por Marina Chaiya – Psicanalista Clínica

“Para que eu preciso de homem mesmo?”

Entre separações e recomeços, divórcios e casamentos, dilemas e resoluções, o espaço terapêutico é o lugar onde as pessoas param para escutar seus próprios pensamentos. E é desse momento entre cliente-terapeuta que nascem certas perguntas, que são fundamentais para qualquer processo terapêutico, essas perguntas são verdadeiras catalisadoras de mudança, e elas só nascem quando as defesas baixam, e existe lugar para sentir a vulnerabilidade

Como guardiã e criadora de espaços terapêuticos, um dos princípios que eu mais zelo é o de respeitar e proteger a existência de cada pergunta que nasce do mundo interior de alguém.

Agora, uma das indagações que tem se tornado muito comum entre mulheres (principalmente as que classifico como ultra independentes), é: “será que eu quero confiar e me entregar?” ou “será que eu quero mesmo estar com um homem?”. 

E isso tem levantado uma grande questão, o que está causando essa onda de mulheres que tem pouca ou nenhuma paciência com os homens? 

Que apesar de sonharem com um relacionamento romântico, não parecem dispor de muita tolerância para construir e partilhar.

E isso me traz a ideia de como nós mulheres evoluídas (calma, antes de você se perguntar se é ou não “evoluída” e se auto analisar de forma dura, só continua lendo), percebemos que a evolução masculina, está acontecendo a passos bem mais curtos. E tem uma razão pra isso.

As mulheres que sempre estiverem mais conectadas com sua sensibilidade, intuição, e o cuidado geral das crianças e da casa, nas últimas décadas saíram pro mundo, e se espalharam por todas as áreas: da política, a ciência, a tecnologia, e consequentemente passaram a liderar e prosperar mais.

Vamos dizer que as mulheres se moveram num ritmo absurdamente rápido, e continuam vivendona na velocidade 5 da dança do creu. 

Os homens por outro lado, que antes exerciam domínio em todos esses campos de atuação por séculos, começam a perder “poder” nas empresas, e em seguida, também nos relacionamentos, uma vez que só prover para o lar já não bastava. 

O básico (basicão mesmo) hoje é que eles sejam: mente aberta, curiosos, livres de preconceito, seguros de si, mentalmente e financeiramente estáveis, íntegros, e capazes de se comunicar abertamente e de lidar com as próprias emoções (isso por si só envolve um mundo de habilidades para ter na mochila emocional, e vamos os queridos nem usam pochete, é só o bolso traseiro da bermuda e olhe lá). Em outras palavras, eles tão tendo que começar do zero.

E as mulheres, que se esforçam muito para alcançar a independência financeira e emocional, e para provar para si mesmas, que não precisam de um homem na prática, para manter a casa e a rotina, estão se perguntando “para que eu quero homem mesmo?”.

Um ponto inegável é que apesar das mulheres hiper independentes estarem desfrutando da liberdade que conquistaram: viajam, encontram amigas, saem quando tem vontade, não se justificam, nem se explicam, elas ainda tem, na grande maioria, o desejo de ter ou manter uma parceria amorosa, um vínculo saudável, uma conexão que oferece afeto, apoio e compartilha de sonhos e objetivos. 

E embora eu tenha certeza de que cada uma deva encontrar sua resposta individual para essa enorme pergunta. Eu gostaria de deixar uma outra pergunta, com o intuito de confrontar a crescente falta de paciência com o masculino.

Porque será que temos mais paciência com mulheres que são lentas nos seus processos de evolução, mas ser paciente com os homens gera uma revolta quase instantânea?

Rolar para cima